>
> Como estagiário, aprendi milhões de coisas e fui muito bem sucedido nas
> minhas funções. Juro que não entendo o porquê de me demitirem...
> Eu tinha várias funções que fazia com excelência, entre elas:
>
> 1. Tirar xerox. 3.1 segundos por página.
>
> 2. Passar café.
>
> 3. Comprar cigarro e pão. 1 minuto e 27 segundos. Ida e volta.
>
> 4. Fazer jogos na Mega-Sena, Dupla-Sena, Lotofácil, Loteria Esportiva...
>
> Eu era muito bom. Mesmo. Fazia tudo certinho, até que peguei uma certa
> confiança com o pessoal e resolvi fazer uma brincadeirinha inocente.
>
> É impressionante o nível de stress em um ambiente de trabalho.
> Quis dar uma amenizada na galera, deixar o povo feliz e fui recompensado
> com uma bela de uma demissão por justa causa. Pu ta saca nagem!
>
> Vou contar toda minha rotina desse dia catastrófico.
>
> Era quinta-feira, 26 de março, quando cheguei ao trabalho.
>
> Nesse dia, passei na padaria no meio do caminho. Demonstrando muita
> proatividade, comprei pão e 3 Marlboro. Já queria ter na mão sem nem mesmo
> me pedirem. Quando abri a agência (sim, me deixam com a chave porque o
> pessoal só começa a chegar lá pelas 11h), já vi uma montanha de folhas
para
> eu xerocar na minha mesa. Xeroquei tudo, fiz café e deixei tudo nos
> trinques (minha mãe que usa essa gíria rs).
> Como tinha saído um pouco mais cedo no outro dia, deixaram um recado na
> minha mesa: "pegar o resultado da mega-sena na lotérica".
> Como tinha adiantado tudo, fui buscar o resultado. No meio do caminho,
tive
> a ideia mais genial da minha vida e, consequentemente, a mais estúpida.
>
> Peguei o resultado do jogo: 01/12/14/16/37/45. E o que fiz?
> Malandro que sou, peguei uns trocados e fiz uma aposta igual a essa.
Joguei
> nos mesmos números, porque, na minha cabeça claro, minha brilhante ideia
> renderia boas risadas. Levei os 2 papeizinhos (o resultado do sorteio e
> minha aposta) para a agência novamente.
> Ainda ninguém tinha dado as caras. Como sabia onde o pessoal guardava os
> papeis das apostas, coloquei o jogo que fiz no meio do bolinho e deixei o
> papel do resultado à parte.
>
> O pessoal foi chegando e quase ninguém deu bola pros jogos. Da minha mesa,
> eu ficava observando tudo, até que um cara, o Daniel, começou a conferir.
> Como eu realmente queria deixar o cara feliz, coloquei a aposta que fiz
> naquele dia por último do bolinho, que deveria ter umas 40 apostas.
> Coitado, a cada volante que ele passava, eu notava a cara de desolação
> dele. Foi quando ele chegou ao último papel.
> Já quase dormindo em cima do papel,vi ele riscando 1, 2, 3, 4, 5, 6
> números. Ele deu um pulo e conferiu de novo.
> Esfregou os olhos e conferiu de novo, hahahaha. Tava ridículo, mas eu tava
> me divertindo.
> Deu um toque no cara do lado, o Rogério, pra conferir também.
> Ele olhou, conferiu e gritou:
> -"PU TA QUE PARRRRRRRRIUUUUUUUUUU, TAMO RICO, POR RA". Subiu na mesa,
> abaixou
> as calças e começou a fazer girocóptero com o p au.
>
> Óbvio que isso gerou um burburinho em toda a agência e todo mundo veio ver
> o que estava acontecendo.
> Uns 20 caras faziam esse esquema de apostar conjuntamente. 8 deles, logo
> que souberam, não hesitaram: correram para o chefe e mandaram ele tomar
bem
> no olho do c u e enfiar todas as planilhas do Excel na bun da
> da mulher dele.
> No meu canto, eu ria que nem um filho da pu ta. Todos parabenizando os
> ganhadores (leia-se: falsidade reinando, quero um pouco do seu dinheiro),
> com uns correndo pelados pela agência e outros sendo levados pela
> ambulância para o hospital devido às fortes dores no coração que sentiram
> com a notícia.
>
> Como eu não conseguia parar de rir, uma vaqui nha veio perguntar do que eu
> ria tanto. Eu disse:
> -"pu ta me rda, esse jogo que ele conferiu eu fiz hoje de manhã.
> A vaca me fuzilou com os olhos e gritou que nem uma pu ta louca:
> -"PAREEEEEEEEEEM TUDO, ESSE JOGO FOI UMA MENTIRA.UMA BRINCADEIRA DE MAU
> GOSTO DO ESTAGIÁÁÁÁÁÁÁRIO"
> Todos realmente pararam olhando pra ela. Alguns com cara de "quê?" e
outros
> com cara de "a cala boca ela tá brincando".
> O cara que tava no bilhete na mão, cujo nome desconheço, olhou o papel e
> viu que a data do jogo era de 27/03.
> O silêncio tava absurdo e só eu continuava rindo. Ele só disse bem baixo:
> - É...é de hoje.
> Nesse momento, parei de rir, porque as expressões de felicidade mudaram
> para expressões de 'vou te matar'.
> Corri... corri tanto que nem quando eu estive com a maior caganeira do
> mundo eu consegui chegar tão rápido ao banheiro.
> Me tranquei por lá ao som de "estagiário filho da pu ta", "vou te matar" e
> "vou comer teu c u aqui mesmo". Essa última foi do pela dão !
>
> Eu realmente tinha conseguido o feito de deixar aquelas pessoas com
> corações vazios, cheios de nada, se sentirem feliz uma vez na vida.
> Deveriam me dar uma medalha por eu conseguir aquele feito inédito. Mas
> não... só tentaram me linxar e colocaram um carimbo gigante na minha
> carteira de trabalho de demissão por justa causa. Belos companheiros!
>
> Pelo menos levei mais 8 neguinho comigo ! Quem manda serem mal educados
com
> o chefe. Eu não tive culpa alguma na demissão deles.
> Pena que agora eles me juraram de morte...agora tô rindo de nervoso.
> Falei aqui em casa que fui demitido por corte de verba (consegui
justificar
> dizendo que mandaram mais 8 embora, rs) e que as ligações que tenho
> recebido são meus amigos da faculdade passando trote.
> Eu supero isso vivão e vivendo, tenho certeza.
>
> É, amigos, descobri com isso que não se pode brincar em serviço mesmo...